Projeto Energia Verde

 

O projeto Energia Verde é uma iniciativa da Companhia de Energia Elétrica de Pernambuco (Celpe) em parceria com a AMANE que conta com apoio do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN) e da Sociedade para Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil). O objetivo consiste em incentivar a redução do consumo de energia elétrica com a troca de eletrodomésticos antigos por novos e de compensar as emissões de CO2 na atmosfera por meio da restauração da Mata Atlântica. A duração do convênio é de dois anos, podendo ser prorrogado.

Os consumidores residenciais de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes podem participar do projeto com doações que variam de acordo com o consumo de energia elétrica. As contribuições serão debitadas na fatura de energia, à vista ou mensais, durante até dois anos. Quem consome, por exemplo, entre 100 kW/h a 200 kW/h pode doar R$ 5 por mês, ou R$ 7 para os consumos de 201 kW/h a 400 kW/h e R$ 10 para consumidores acima de 400 kW/h. Em contrapartida, cada participante receberá cinco lâmpadas fluorescentes compactas de 15W.

As contribuições podem ser:
 
 

 
Todas as contribuições serão repassadas para a AMANE que vai ajudar na restauração da Mata Atlântica da Serra do Urubu, uma das regiões de maior biodiversidade de Pernambuco. A meta é restaurar 15 hectares até o final do projeto.

O Energia Verde também vai conceder até dois bônus de R$ 240 a R$ 500 que serão revertidos em desconto na compra de geladeira, freezer ou ar-condicionado com Selo Procel de Economia de Energia. Além disso, a Celpe vai recolher o equipamento antigo para que seja encaminhado a descarte adequado.

Para participar do Energia Verde é preciso morar no Recife, Olinda ou Jaboatão dos Guararapes, ser consumidor residencial, estar adimplente com a Celpe e não ter participado de outro programa de eficiência energética como o Nova Geladeira ou Doação de Geladeira, além de possuir CPF coincidente com o constante na fatura de energia. Atendendo aos requisitos, o interessado pode preencher uma ficha de inscrição, retirada no site   ou nas agências de atendimento CELPE indicadas ( Madalena, Casa Amarela, Bairro Novo, Boa Vista e Shopping Guararapes), assinar contrato de adesão e levar e levar cópia de RG, CPF e última conta de energia.   O cliente poderá se inscrever no Energia Verde antes ou até 30 dias após a compra do eletrodoméstico contemplado (refrigerador, freezer e ar-condicionado) certificado com Selo Procel. Mais informações pelo telefone (81) 3217-5432 / 32314678.

Esse projeto também foi implantado nas outras duas distribuidoras do Grupo Neoenergia – Coelba (Bahia) e Cosern (Rio Grande do Norte). A previsão é recuperar aproximadamente 100 hectares de Mata Atlântica nos estados da Bahia, Pernambuco e no Rio Grande do Norte.


A restauração ecológica da Serra do Urubu

Paisagem da região da Serra do Urubu                                 
Foto de Patricia Ruggiero
Área para restauração ecológica
Foto de Pedro Develey
Remanescente de Mata Atlântica na RPPN Frei Caneca.             
Foto de Patricia Ruggiero

 
A Serra do Urubu é um complexo formado por remanescentes de floresta atlântica montana e está localizada entre os municípios pernambucanos de Lagoa dos Gatos, Jaqueira, São Benedito do Sul e Belém de Maria. Em 2006, recebeu o título de IBA (Important Bird Área), ou seja, Área Importante para a Conservação das Aves. Junto com Murici, em Alagoas, é a única área onde ainda podem ser encontradas todas as quatro espécies confinadas à Mata Atlântica de Alagoas e Pernambuco (Philydor novaesi - Limpa-folha-do-nordeste, Myrmotherula snowi - Choquinha-de-alagoas, Terenura sicki - Zidedê-do-nordeste e Phylloscartes ceciliae - Cara-pintada). Na Serra do Urubu, ocorrem ainda outras oito espécies de aves globalmente ameaçadas de extinção.

Considerada um dos últimos remanescentes florestais desta região do Nordeste, a Serra do Urubu foi lentamente degradada pelo homem, tanto pela exploração dos recursos naturais, como pelo uso da terra com o plantio de cana-de-açúcar e, mais recentemente, com a criação de gado. É possível, no entanto, reverter esse quadro promovendo ações de restauração ecológica a fim de garantir a preservação dos ciclos naturais e dos serviços ambientais fornecidos pela Mata Atlântica, como regulação climática, ciclagem da água, armazenamento de carbono, manutenção da biodiversidade e da fertilidade do solo, entre outros.

Por meio do projeto Energia Verde, a AMANE e parceiros vão contribuir com a restauração da Serra do Urubu. Isso será feito a partir da metodologia adotada pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.

É importante compreender o conceito de restauração para conhecer as etapas do trabalho. De acordo com a Society for Ecological Restoration International (
SER ) ou Sociedade para Restauração Ecológica Internacional, restauração é “a ciência, prática e arte de assistir e manejar a recuperação da integridade ecológica dos ecossistemas, incluindo um nível mínimo de biodiversidade e de variabilidade na estrutura e funcionamento dos processos ecológicos, considerando-se seus valores ecológicos, econômicos e sociais”. Isso significa que se busca transformar as áreas degradadas em florestas funcionais e sustentáveis, restaurando a integridade ecológica do ecossistema, sua biodiversidade e estabilidade a longo prazo, enfatizando e promovendo a capacidade natural de mudança ao longo do tempo do ecossistema.

A restauração inicia ou acelera a recuperação de um ecossistema e deve seguir um planejamento. O Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Universidade de São Paulo indica alguns passos:

1. Aquisição do material de trabalho:
Aerofotografias, imagens de satélite, mapas em formato digital ou impresso da propriedade, plantas topográficas da área, etc. Com esses instrumentos é possível identificar as áreas e delimitar as situações ambientais para que ocorra posteriormente a checagem de campo.

2. Checagem de campo:
Com mapas em mãos, as equipes vão verificar as situações ambientais. Para cada situação, é proposto um método específico de restauração florestal.

3. Levantamento florístico e marcação de matrizes:
Paralelamente às checagens de campo para diagnóstico ambiental, uma equipe realiza a caracterização florística dos remanescentes naturais, bem como a marcação de matrizes para posterior coleta de sementes para produção de mudas.

4. Confecção de mapas de adequação ambiental:
Finalizadas as checagens de campo, são gerados mapas de cada situação ambiental que requer métodos diferentes de restauração florestal.

5. Orientações para construção de viveiros florestais: Como forma de atender a demanda para restauração florestal de áreas degradadas são oferecidas orientações para construção de viveiros de espécies nativas regionais.

6. Capacitação de equipes:
Pessoas são treinadas para executar o plano de restauração.

A partir desses itens, a AMANE, em parceria com o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste - CEPAN e a Sociedade para Conservação das Aves do Brasil - SAVE Brasil , fará um planejamento para a restauração da Serra do Urubu após o repasse das doações dos consumidores da Celpe, pelo projeto Energia Verde. As organizações pretendem restaurar 15 hectares de Mata Atlântica na Fazenda Pedra d’Anta, propriedade de 360 hectares da BirdLife/SAVE Brasil, em Lagoa dos Gatos. Remanescentes do bioma estão interligados à Reserva Particular do Patrimônio Natural Frei Caneca , formando um corredor de cerca de 1.000 hectares de mata contínua. Com a restauração ecológica, a meta da AMANE, CEPAN e SAVE Brasil é conectar fragmentos florestais que ainda não estão protegidos.
 

 



 
   

Fotos gentilmente cedidas por Adriano Gambarini
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